Crédulo que sou, estou disposto a encomendar uma camiseta com a inscrição “Eu acredito na Copa Sul-Americana”. Melhor assim do que escrever “Os cartolas são visionários”. Mas, de fato, eu levo fé nessa competição. Pena que no Brasil, esse país marcado pela marra, pela insensatez e resistência ao novo, tudo seja mais difícil de acontecer. A Sul-Americana, espécie de Copa da Uefa do terceiro mundo, é lucrativa, tem um bom formato, preenche bem o calendário e oferece bons jogos. Foi o que aconteceu nesta noite, na qual ninguém dava muita coisa, mas se tornou bastante agradável para quem gosta do produto patenteado pelo nosso lendário Charles Miller, o dono do bigode que tornou a vida de muitos nesse país uma autêntica benção.
Logo aos quatro minutos, o misto de competência corintiana com azar vascaíno. Excelente jogada de Eduardo Ratinho. Cássio rebateu, a bola tocou nas costas de Fábio Brás, que, além de fraco não tem sorte, e sobrou para Amoroso fazer o seu primeiro gol pelo Corinthians. O Vasco não se abateu e foi à frente. Mas não tinha quem fizesse (ou soubesse) fazer gols. Aos 27m, Rafael Moura cabeceou para fazer 2 a 0. Cinco minutos após, Diego (vejam só) fez um belo gol de falta. E, ainda no primeiro tempo, Magrão bateu falta, Cássio defendeu, mas Coutinho resolveu cortar: gol contra. Foi o placar do primeiro tempo e do jogo. O Corinthians segue em frente e agora enfrenta Lanus ou Vélez Sarsfield. E o Vasco, de cabeça erguida, se despede.
Para fechar, nova vitória do Atlético no clássico: 1 a 0 no Paraná, gol de Denis Marques. O Furacão, que deve muito no Brasileirão e luta para não cair, agora enfrentará o River Plate. E amanhã teremos Botafogo x Fluminense, num jogo muito motivado e cheio de expectativa. A Copa Sul-Americana é uma boa. Basta os clubes entenderem e a levarem mais a sério. E, de novo, acredito, que o cenário já está em mutação.
São Paulo x Boca Juniors – Voltam Josué, Leandro e Aloísio. O São Paulo entra completo contra os fortes argentinos, para quem nunca perdeu no Morumbi. Ganhar a Recopa Sul-Americana contra o poderoso Boca Juniors poderia funcionar como divisor de águas para o São Paulo e, principalmente, para Muricy Ramalho, ambos tão criticados nas últimas semanas – apesar da liderança no Brasileirão. Se perderem o título em casa, a pressão pode ficar ainda mais forte, principalmente porque domingo, no Morumbi, o time tem mais um jogo decisivo: contra o Internacional, vice-líder no Brasileirão e seu algoz na Libertadores. Como perdeu por 2 a 1 na Bombonera, o simples 1 a 0 garante nova conquista aos tricolores. Um outro 2 a 1 é sinônimo de final por pênaltis, enquanto se o Boca ganhar com placar a partir de três leva a taça para Buenos Aires. E é muito bom o Boca, com talentos, como Gago, Calvo, Dattolo, Palácio e Palermo, nem tão habilidoso, mas referência na frente. O cenário, naturalmente criado com os últimos resultados, deu à Recopa Sul-Americana uma importância que nem a Conmebol esperava. Meu palpite: novo 2 a 1. E pênaltis.
Fluminense x Botafogo - Teremos cinco zagueiros, seis volantes, quatro atacantes e dois retornos importantes no clássico decisivo de amanhã, no Maracanã, pela Copa Sul-Americana. Fluminense e Botafogo decidem o direito de enfrentar o Gimnasia La Plata, da Argentina, na próxima fase, numa partida que, pelas escalações, tem tudo para ser amarrada e de poucos gols. Tem uma tremenda cara de empate. Lembro que 0 a 0 é bom para os tricolores, pois, pelo critério da Conmebol, ele empatou na ida por 1 a 1 na “casa do adversário”. Os alvinegros levam o confronto para os pênaltis com a repetição do placar.
Petkovic volta ao Fluminense; Zé Roberto ao Botafogo. Pela carência dos elencos, a vantagem é do Botafogo. Até porque Cuca tem menos opções do que Antonio Lopes. Meu palpite: empate. Só não arrisco o placar.
Como no ano passado. Lyon e Real Madrid se enfrentam pela primeira rodada da Liga dos Campeões. E os franceses dão um peteleco bem dado na marra espanhola. Ótima atuação coletiva dos pentacampeões nacionais, com destaque para Juninho Pernambucano, Abidal, Malouda, Fred e Tiago. Não fosse Casillas, o Madrid teria saído para o intervalo com um saco de gols. Mas levou apenas dois: Fred e Tiago (golaço).
Bom, ao vivo só vi mesmo o jogo entre Lyon e Milan. Agora comecei a ver o vt de Manchester United x Celtic Glasgow, no Old Trafford. Deve ter sido uma partida interessante, principalmente se observarmos o placar movimentado (3 a 2 para os ingleses) e, como diziam os mais velhos, a marcha da contagem. Vennegoor fez 1 a 0 para os escoceses. O francês Saha virou com dois gols. E Nakamura empatou. Tudo no primeiro tempo. Logo no início do segundo tempo, o excelente norueguês Solskjaer fez 3 a 2 e o Manchester United ganha seu quinto jogo seguido no ano: quatro pela Premier League, onde é líder, e hoje. No outro jogo pelo Grupo F, bom resultado do Benfica na Dinamarca: 0 a 0 com o Copenhague. Mais detalhes com Pedro PT, pois esse confronto eu não vi.
Grupo G. Também não deu para acompanhar o tropeço do Porto, em casa, contra o CSKA, da legião brasileira (Daniel Carvalho, Vagner Love, Dudu Cearense... ). Ricardo PT, apresente-se! E os portugueses já saem atrás, pois, na Alemanha, o Arsenal ganhou do Hamburgo por 2 a 1. Ótimo resultado para o time de Gilberto Silva, auto do primeiro gol, e de Julio Baptista. Até porque vem mal na Premier League.
Para fechar, destaque para a vitória do Milan, óbvia, sobre o AEK Atenas, no San Siro: 3 a 0, marcando Inzaghi, Gourcuff e Kaká. Grupo mole para os italianos esse H, até porque na outra partida deu empate: Andelecht 1 x 1 Lille, no que deve ter sido um belo peladão, movido à cerveja belga e chocolate de primeira na sobremesa. Nada mal.
Hoje ninguém precisou de calmante para ver as meninas do Brasil no Mundial de Basquete Feminino, em São Paulo. Passaram por cima da sul-coreanas por 106 a 86. E já estão classificadas para a segunda fase. È amanhã jogamos pelo primeiro lugar contra a Espanha. Como diria Antonio Porto, “de chuá”!
Vencer, vencer, vencer...
Os cinco maiores públicos da Série B são do Galo. O de ontem foi o maior. No total, nos 11 jogos da equipe em Belo Horizonte, pagaram ingresso 229.910 pessoas, com fantástica média de 21.161 por partida, média similar à dos atuais líderes do ranking de massas na A: Grêmio e Internacional. Na B, quem mais se aproxima do Atlético é o Paysandu, com média de 13.547. Na contra-mão, o Ituano bate todas as marcas negativas em termos de comparecimento aos estádios: é imbatível na lista dos menores públicos.
• Não é por nada não, mas Emerson Leão está igual ao Lee Marvin, aquele ator americano, famoso por seus papéis em westerns. O técnico do Corinthians saiu do saloon e vai com o time completinho para enfrentar o Vasco, amanhã, no Canindé, na volta da Copa Sul-Americana. Difícil para os cariocas, que têm que ganhar. E 1 a 0, placar da ida, nem basta. Sei não... Mas milagres e surpresas a cada dia se assanham mais no futebol. A conferir.
• O Vasco contratou Leandro Amaral. Um bom centroavante na época em que foi revelado pela Portuguesa. E depois sofreu com lesões diversas e não parou mais clube de nenhum. Só em São Paulo jogou pelo time do Morumbi, Corinthians e Palmeiras. Enfim, mais uma aposta. Quem não se lembra é esse aí da foto ao lado.
• Fala aí, Fernando Alonso: “O Zidane se aposentou com mais glória que Schumacher. Michael é o piloto com mais punições e mais antidesportivo da história da Fórmula 1”. Cruzes...
• Depois do colombiano Vargas, que era reserva no Boca, o Inter vai escalar o lateral-esquerdo peruano Hidalgo, de 30 anos, contra o São Paulo. Abel gostou. Bem, não conheço, não posso falar. Mas é uma escalação de risco.
• E não deixe de participar no Censo do Jogo Aberto. O post está aqui embaixo. E, por favor, não vote anônimo. Obrigado.
Primeiro dia de jogos pela fase final da Liga dos Campeões da Europa. E as melhores atuações foram dos espanhóis. O Barcelona passeou no Camp Nou diante do Levski Sofia: 5 a 0. Toque daqui, toque dali, tudo muito bonito, plástico e bem jogado. Sacode clássico, com gols de Iniesta, Giuly, Puyol (até ele fez), Eto’o e Ronaldinho Gaúcho, após jogada e chute belíssimos. O Barcelona é favorito de ponta ao bicampeonato. Quem pode atrapalhar, embora eu não me empolgue muito, é o Chelsea. Os ingleses estrearam bem, em Londres: 2 a 0 no Werder Bremen, de Diego e Naldo, ex-Juventude, e que falhou no primeiro tempo. Marcaram Essien (grande atuação do ganês) e Ballack. Os favoritos começaram bem no grupo da morte.
Jogo bem disputado, duro, mas com poucas chances de gols em Lisboa. Saiu apenas um, do lateral Caneira, no segundo tempo. E o Sporting venceu a Internazionale. Adriano foi escalado desde o início por Roberto Mancini e não funcionou. E Alecssandro, ex-Cruzeiro, entrou no segundo tempo e provocou a expulsão de Vieira. Boa estréia dos portugueses, com um time interessante. E mau começo dos italianos, com uma tática extremamente defensiva e pragmática. No Alianz Arena, em Munique, também pelo Grupo B, o Bayern esculachou o Spartak Moscou, que conta com o possante Géder em sua defesa: 4 a 0, com gols de Pizarro, Santa Cruz, Schweinsteiger e Salihamidzic. Pessoal com nome fácil.
Para fechar, o Valencia foi o outro destaque espanhol. Por sinal, o único a ganhar fora de casa. Com três gols de Morientes goleou o Olympiakos, de Rivaldo, por 4 a 2, em Atenas. E, na linda capital italiana, a Roma detonou o Shaktar, de Elano; 4 a 0, com gol de Taddei e, em homenagem a Lilu, um de Lillu. Assim foi o Grupo D. E amanhã tem mais...
Continuamos com um terrível Complexo de Viralata no basquete. Depois do fiasco dos machos, quase que a meninas da Seleção Brasileira se complicam na estréia no Mundial disputado dentro de casa, em São Paulo. Seria terrível começar com derrota uma competição tão importante no nosso próprio endereço. A desconfiança que nosso basquete já causa aos torcedores seria multiplicada por três. Mas, após uma farta distribuição de calmantes, vencemos as primárias argentinas por 71 a 69 (40 a 32), graças a uma cesta de Hellen a cinco segundos do fim da partida.
Amigos do Jogo Aberto. Casa nova, números diferentes. Ano passado, no endereço antigo, fizemos o censo do nosso blog. Foi um sucesso e centenas de blogueiros participaram. Esse ano vamos repetir a dose. O que eu preciso saber (e esse post fica exclusivo para isso, até a próxima segunda-feira). Qual é o seu time de coração e de que cidade você tecla? Só isso. A resposta é só essa. E, claro, conto com a honestidade de todos para votáramos apenas uma vez.
Até que a média de gols do Campeonato Brasileiro não está tão ruim assim. Em 228 jogos foram marcados 610, com índice de 2,68 por partida. Bem razoável e muito acima da marca dos principais campeonatos europeus, por exemplo. Mas, tecnicamente, insisto, a competição deixa a desejar. Alguns números para reflexão:
As garrafas do futebol europeu começaram a ser vendidas nesse meio de semana, quando começa a fase final da Liga dos Campeões, o melhor, mais técnico e mais milionário campeonato de clubes do mundo. Amanhã, por exemplo, já teremos oito jogos, com destaque para os dois do Grupo A, um dos mais difíceis: Chelsea x Werder Bremen e Levski Sofia, da Bulgária, time do inacreditável Lúcio Wagner, ex-lateral-esquerdo do Botafogo. Ficam os meus palpites. Favoritos ao título: Manchester United, Milan, Madrid e Barcelona. Azarão: CSKA Moscou. Fracasso à vista: Chelsea, Arsenal e Bayern Munique. Aguardemos.
Grupo E
Não me lembro. Sinceramente, faltam registros na minha memória sobre algum jogo de futebol no qual um time, com 11 jogadores contra 9 desde os 26 minutos do primeiro tempo não tenha conseguido fazer um único gol e ainda empatar de 0 a 0. Pior: ser engolido na parte física pelo adversário desmantelado, que, na prática, teve chances de decidir a partida. O São Paulo, o time com 11, jogou contra os nove do Corinthians durante 67 minutos. Mais de uma hora. E nada fez. Absolutamente, coisa nenhuma. Fracasso constrangedor. Com certeza, a atuação mais ridícula do vice-campeão da Libertadores nos últimos dois anos. Muricy Ramalho foi passivo. Não viu a partida como deveria. E sua equipe, entorpecida, lenta, sem criatividade e até com doses de soberba, foi engolida pela raça corintiana. Um jogo atípico e que entra para a história como um dos maiores atestados de incompetência coletiva já exibidos dentro de um gramado tupiniquim.
Cesar foi expulso aos quatro minutos do primeiro tempo, após pontapé em Souza. Aos 26, Eduardo Ratinho acertou Thiago. Heber Roberto Lopes acertou novamente ao aplicar cartão vermelho. Leão tirou Roger, pôs Gustavo Nery e deu uma arrumada no buraco aberto. Muricy Ramalho foi tímido: sacou Souza, um dos jogadores que mais põe e entra na pilha do nosso futebol, e apostou no garoto Tadeu. Mas, com 11 contra 9, manteve três zagueiros em campo. Resultado: o São Paulo não chutou no primeiro tempo.
E no confrontos do tricolores, no Pinheirão, deu Paraná: 1 a 0 no Fluminense, gol de Cristiano, logo no início da partida. Os donos da casa saem de um ciclo de cinco derrotas seguidas e pulam para sexto lugar, com 34 pontos. E o Fluminense, que ainda não venceu sob comando de Antonio Lopes, não ganha há oito partidas ou quase um mês – a última vitória foi sobre o Cruzeiro, no Mineirão, dia 13 de agosto, ainda com Oswaldo de Oliveira à frente. E o Flu cai mais um pouco: décimo, com 30 pontos. É cuidar para não descer mais... E para de achar que a culpa é do treinador... Afinal já são cinco em 2006 (um a cada 45 dias) e nada acontece. Se é que vocês me entendem...
No clássico carioca, nada a contestar na vitória de 2 a 0 do Flamengo sobre o Botafogo, gols de Rafael Marques, contra, e Renato Silva, ambos no primeiro tempo. Os rubro-negros chegam a 27 pontos e, pelo critério do saldo de gols, jogam a Ponte Preta para a zona do rebaixamento e estancam uma série de quatro jogos sem vencer. Já os alvinegros perdem a invencibilidade de cinco partidas (quatro vitórias seguidas no Brasileirão), caem para décimo-segundo (30), amargam o dissabor de perder o sexto duelo consecutivo contra os rivais e ainda terão o Grêmio, fora de casa, no próximo fim de semana.
Três vitórias seguidas. Segundo colocado (40 pontos), com um jogo a menos do que a maioria. Torcida empolgadíssima, que lotou o Beira-Rio (36 mil pagantes). O Internacional segue encantado. Nas partes que conseguir assistir da vitória de 2 a 0 sobre o Atlético Paranaense (gols de Adriano e Fabiano Eller), o time foi impecável. Dos jogos que acompanhei no fim de semana, o Colorado teve a melhor atuação entre todas as equipes do Campeonato Brasileiro.
Para fechar, outro jogo que minha incapacidade para a clonagem não me permitiu acompanhar. Fortaleza 1 x 1 Santos. Não concordo que foi bom para o Peixe. Entendo que foi péssimo para os dois. O Santos não aproveitou para encostar no São Paulo, continua em terceiro (com 39), junto com o Grêmio, a quatro pontos do São Paulo e agora atrás do Inter (40) e provou que não sabe ganhar fora de casa. De 12 partidas como visitante, só venceu duas. E os cearenses chegam ao décimo-primeiro empate em 23 jogos (quase 50%) e, com 23, seguem aboletados na vice-lanterna.
* Não vou me alongar pelo simples fato de que não pude ver o jogo. Deixo para quem acompanhou toda a final do Grand Prix de vôlei feminino dar os seus saques e cortadas por aqui. Fica o registro: o nosso vôlei, tanto masculino quanto feminino, é fantástico. E mete medo. Põe pavor em quem os enfrenta. Hoje, em Reggio Calabria, as moças se vingaram de vez do Trauma de Atenas. Ganharam a decisão contra a Rússia com sobras: 3 sets a 1, com parciais de 25/20, 25/20, 23/25 e 25/17.
O suíço Roger Federer faturou o US Open ao ganhar do americano Andy Roddick por 6/2, 4/6, 7/5 e 6/1. O início foi um passeio de Federer, que chegou a estar ganhando o primeiro set por 5/0, mas desperdiçou uma chance de fechar e terminou em 6/2, em mais uma quebra de saque (a terceira em cima do americano). Depois, no segundo set, Roddick já começou quebrando, o clima de Copa Davis voltou a reinar em New York e o americano soube manter a vantagem até o final. Já o terceiro set foi marcado pelo equilíbrio e só foi decidido no décimo-segundo game, quando Roddick começou a apresentar sinais de cansaço e teve seu saque quebrado. Depois, um quarto set em que Federer tentou terminar com o já tradicional pneu dele numa final de Grand Slam, se aproveitando do esgotamento físico do americano. Ele chegou a ter o match point no 5/0 com saque do americano, mas Roddick salvou seu saque e outra humilhação.
* Flavio Briatore, diretor da Renault, detonou o mundo da F1 após a punição a Fernando Alonso e da vitória de Michael Schumacher. Ele disse:
Um breve resumo do domingo no futebol europeu:
• Na Espanha, o adversário do Real Madrid era uma galinha morta. O Levante raramente se levanta. E Ruud Van Nilsterooy aproveitou a debilidade do adversário. Três gols marcados (Cassano fez o outro). Um sacode do Real, fora de casa. Robinho entrou no segundo tempo. E, das tribunas, Ronaldo vou o holandês cair no gosto exigente do torcedor madrilenho.
Não há nenhum segmento no qual o ídolo esteja tão perto dos seus adoradores quanto o esporte. Se você é fã dos Rolling Stones pode ver um show deles muito raramente (falo ao vivo). A admiração de um cinéfilo por Al Pacino também tem limites - às vezes pode diminuir até por causa de uma escolha de roteiro mal feita. Na política, então, idolatria hoje virou sinônimo de fanatismo ou mesmo, em caso extremos, de doença. No esporte, não. Ali é diferente. O ídolo é instantâneo. De carne e osso. Acerta e erra na cara do seu fã. Vibra, reclama, chora, sorri e se emociona junto a ele. Oldemário Touguinhó, saudoso amigo, colega e professor, dizia que o esporte é a única área do jornalismo onde o repórter vê o fato acontecer e não chega depois. Acostumamos a ver um ícone nascer, crescer, brilhar, errar, vencer e... anunciar a sua despedida.
Fernando Alonso tem seus motivos para estar aborrecido. Também concordo que foi demais, bobagem ao extremo, a punição que o levou ao décimo lugar do grid. Coisas desse mundo hipócrita da F1. Mas que sempre deu sorte de fabricar ídolos. Fangio, Lauda, Villeneuve, o pai, Senna, Piquet, Prost, Mansell, pelo conjunto da obra, Hill, o pai, Ascari, Fittipaldi... E agora, Michael Schumacher...
É igual você levar um bom tempo sem ver um filme de determinado diretor, ouvir o CD daquela banda que há muito tempo não grava nada ou um se irritar com o livro do escritor que prometeu muito, fez muito marketing no lançamento e entrou um romance primário. A sensação de perda de tempo é inevitável. No futebol não é diferente. Há certas partidas muito aguardadas e que, por vários motivos, se tornam sinônimo de decepção. E foi com esse gosto de cabo-de-guarda-chuva que os torcedores de Vasco e Grêmio ficaram após o chatíssimo empate de 1 a 1, hoje à noite, em São Januário. Quem esperava ver um clássico teve que amargar um filme B, quase um trash do tipo desse indecente “Serpentes a Bordo”, que entrou em cartaz nesse fim de semana.
O segundo tempo foi terrível. O Vasco foi nulo. Morais não esteve bem. Jean cansou. Faioli foi Falholi. Os laterais foram inoperantes, como sempre. E Mádson entrou, fez um showzinho particular sem produtividade e... nada. O Grêmio tentou mais, insistiu, mas errou demais no último passe ou nos poucos lances de perigo criados. Enfim, uma partida decepcionante. Melhor para o Grêmio que, fora de casa, arrancou um pontinho e segue em segundo, com 39 pontos. Pior para o Vasco, quinto (35). Com o terceiro empate seguido em casa e arriscado a perder seu lugar, caso o Figueirense vença o Goiás amanhã, em Florianópolis.
Ninguém ganhou da turma da frente. O Coritiba, líder, empatou com a fraca Portuguesa, fora de casa (2 a 2). O Náutico, vice, perdeu para o Paysandu, no Mangueirão. E o Sport Recife, terceiro, empatou com o Santo André na Ilha do Retiro. A rodada foi excelente para o Atlético Mineiro, quarto (35 pontos), que venceu o CRB, em Maceió, por 1 a 0. Para o Avaí, quinto (33), após ganhar do Marília na Ressacada (2 a 0). E para Paysandu, agora sexto, com 32. É bom não devemos esquecer que o Marília, também com 32 (é sétimo), tem uma partida a menos. Outro resultado interessante foi a vitória do América de Natal, em Brasília, por 4 a 2 em cima do Brasiliense. Os potiguares estão em nono, com 31. Enfim, está tudo aberto na briga pelas quatro vagas para a Série A.
Direto de Nova York, nosso enviado especial, Rafael Rafic, comenta a final do torneio de simples do US Open. Fala, Rafic!
O Diário Lance traz uma reportagem interessante hoje, assinada por Caio Barbosa, Leandro Dias e Rafael Cavalleri. Contratado no início do ano, com salários de R$ 120 mil mensais, Pedrinho jogou apenas 9 das 43 partidas do Fluminense na temporada. Segundo o texto, ele já teve dores musculares na coxa direita, estiramento muscular na esquerda, fratura no dedão do pé esquerdo, virose e problemas urológicos.
• Bastaram 45 minutos para o Barcelona jogar e vencer, com facilidade, o Osasuna por 3 a 0 (dois gols de Eto’o e um de Messi). Todo time jogou bem, inclusive Ronaldinho Gaúcho. No segundo tempo, foi só descansar. O Barça é líder com o Valencia, dois jogos e duas vitórias. O rival venceu o Atlético Madrid, no Vicente Calderón, por 1 a 0, gol do ótimo David Villa. Esse time pode perturbar a paz do Barcelona na temporada. Assim como o Real Madrid, claro, que neste domingo tem uma aparente carne assada diante do Levante.
• Na França, o sábado foi brasileiro. O Lyon venceu o Troyes por 2 a 0, gols de Cris e Juninho Pernambucano. Com um gol de Wendell, o Bordeaux, de Ricardo Gomes, ganhou do Nice por 3 a 2. O Lyon é líder, com 13 pontos. Pelo menos até amanhã, quando om Olympique, de Ribery, joga contra o PSG, em Paris, e também pode chegar a 13, com vantagem no saldo de gols.
• Começou o Campeonato Italiano. Em Roma, De Rossi e Mancini marcaram no 2 a 0 do Roma sobre o Livorno. Em Firenze, só Maicon jogou pela Internazionale na vitória de 3 a 2 sobre a Fiorentina. Adriano e Júlio Cesar estão barrados. O destaque foi o argentino Cambiasso, autor de dois gols. Ibrahimovic marcou o outro. E o bom Luca Toni fez os dois dos violas, que segue lá atrás, com uma penca de pontos negativos. E a Juventus estreou na segundona com um triste empate em 1 a 1 com o Rimini.
• É mesmo maravilhoso (e duradouro) o grande momento do vôlei brasileiro. Como escreveu o Rafic ganhar de Cuba por 3 a 0 e chegar à final do Grand Prix não tem preço para a seleção feminina. Um incontestável placar de 3 a 0, com parciais de 25/20, 25/15 e 25/18. O time de José Roberto Guimarães sobra na quadra. Para a final, na minha opinião, seria melhor enfrentar a Rússia, a quem já vencemos na abertura da fase final. Enfrentar a Itália, dona da casa, deve ser algo mais espinhoso, até porque os tiffosi devem lotar o belo ginásio de Reggio Calábria.
• Sábado decisivo em Nova York. À noite, Justin Henin-Hardenne decidi o título feminino contra Maria Sharapova. Segunda contra quarta do ranking da ATP. Sou mais a belga. E, à tarde, as duas semifinais masculinas. Roger Federer (1) x Andy Roddick (10). Essa será a final masculina do US Open. Os dois venceram os russos Nikolai Davydenko (6) e Mikhail Youzhny (54). respectivamente. Sou Federer e dou um set de vantagem.
O fim de semana do Campeonato Brasileiro promete. Grandes jogos, dramas intensos, situações nunca tranqüilas, mas quase sempre embaraçosas. Sábado, por exemplo, teremos três jogos importantíssimos. O melhor deles acontece em São Januário: Vasco, quinto, x Grêmio, terceiro. O duelo direto entre duas equipes que surpreenderam muita gente. No Parque Antarctica, Palmeiras x São Caetano. Se perder, o Porco pode até acabar a rodada na zona do rebaixamento. E idem, idem, para o fraco Azulão, versão 2006. Outro confronto do desespero: Ponte Preta x Santa Cruz, em Campinas. À Macaca só resta vencer. Ao Santa, ganhar e rezar.
No domingo, o clássico entre São Paulo e Corinthians é um dos destaques. Na minha opinião, o melhor prato do cardápio. Uma partida que é esperada há várias semanas. Provocações são lidas, ouvidas e lamentadas desde segunda-feira. O São Paulo defende a liderança e sua vontade de sair da má fase, latente desde a perda da Libertadores para o Internacional. E o Corinthians, sempre turbulento, deve estrear suas novas estrelas: Magrão, Amoroso e César. Promessa de Morumbi cheio. E é bom lembrar que se o Corinthians perder também pode voltar ao grupo da degola.
No Maracanã, outro jogão. É o duelo entre o Botafogo, décimo colocado e embalado com quatro vitórias seguidas, contra o Flamengo, que desaprendeu a ganhar e convive com a crise e o rebaixamento. Se os rubro-negros não vencerem, a Gávea explode. E os alvinegros querem os três pontos para respirar ainda mais longe do abismo. Mas os desfalques de última hora podem atrapalhar.
E o Santos? Terá força e personalidade para vencer o Fortaleza, com novo técnico, na capital cearense e seguir no calcanhar do São Paulo. A conferir. E, para fechar, um insosso Juventude x Cruzeiro temperado com o pavor presente em Paraná x Flumiense, no Pinheirão. Nesse jogo ninguém pode perder. De novo.
Ferdinando nasceu em 1987, no Rio de Janeiro. Já no berço cometeram o primeiro vacilo com o rebento: batizaram o moleque com nome-gerúndio. A família era toda de rubro-negros. E, uma semana antes de Ferdinando vir ao mundo, o Flamengo conquistou o tetracampeonato brasileiro ao vencer o Internacional, por 1 a 0, no Maracanã, gol de Bebeto. Naquela época, os torcedores estavam enlouquecidos. Em sete campeonatos nacionais, o clube ganhou quatro. Zico brilhava. A Gávea ainda vivia tardes de festa nos concorridíssimos treinamentos. O clube já dava sinais de decadência econômica, mas a seqüência de títulos trazia mais sócios. Era um ciclo natural.
Não dá para dizer que Wagner Tardelli decidiu o jogo de hoje à noite, no Maracanã, entre Botafogo e Fluminense. Mas atrapalhou demais. Os dois times, diga-se de passagem. Errou demais, em lances decisivos. Se fosse apenas inversões de faltas, um impedimento de araque, até passava. Mas o soprador de apito negou fogo quando não poderia. Nota 1 para Tardelli, no Clássico Vovô que acabou empatado em... 1 a 1. Pior para os alvinegros, que tiveram mais chances de vencer a partida, não decidiram e agora ficam de fora com um empate de 0 a 0. Ao Botafogo, resta vencer ou empatar de 2 a 2. E a repetição do placar leva à cobrança de pênaltis.
Cuca melhorou bem o Botafogo no segundo tempo. Tirou Rafael Marques e lançou William. Um atacante bem razoável, que foi revelado no América e andou pelo Vasco. O time cresceu e, mesmo sem o mesmo padrão dos últimos jogos no Brasileirão (quatro vitórias seguidas), passou a dominar. Foi melhor, mas criou pouco. Deveria ter sido mais efetivo. E Marcelo, que jogou bem improvisado no meio, não tivesse perdido um gol feito no segundo tempo, a vaca poderia ter ido para o brejo.
O São Paulo volta para casa no lucro. E o gol de Thiago na Bombonera pode fazer a diferença na partida de volta, no Morumbi. O time de Muricy Ramalho, de novo, foi mal. Não por culpa do esquema tático que o treinador pôs em prático, sem um ala-direito fixo – Alex Silva e Fabão se revezaram (e mal) naquele lado -, com Richarlysson (péssimo) na ala esquerda e Danilo ao lado de Lenílson no meio de campo. O problema não foi tático, mas individual. Vários jogadores falharam, se omitiram e, quem sabe, tenham sentido a pressão. Resultado: Boca Juniors 2 a 1. E agora o time argentino joga por um empate no Brasil. Vitória por 1 a 0 dá o título da Recopa Sul-Americana aos paulistas.
Sempre fiquei intrigado com a desfeita de 99% dos jogadores profissionais brasileiros em relação a Charles Miller. Imagine, são milhares de boleiros espalhados pelo país, a maioria com notória ânsia reprodutora, e pouquíssimos batizam seus rebentos com o britânico nome Charles. Preferem Pafúncio, Lédio (há vários Lédios em Niterói), Emerson, Fernando, Beatriz, Fernanda, José, Pedro, Ricardo, Christopher, Rafael, Fabiano, Hélio, Luiz Fernando, Eduardo.. E por ai vai... Quase ninguém é batizado de Charles. Um absurdo.
Mas, Charles, você foi um pai para milhares. Provavelmente o mundo não conheceria Pelé se não fosse Charles Miller. Nem Garrincha. Nem Zico. Nem Rogério Ceni. Nem Sócrates. Nem Ademir da Guia, Tostão, Roberto Dinamite, Reinaldo, Falcão, Rivelino, Ronaldinho Gaúcho, Obina e Valdir Papel... Charles nos deu essa oportunidade.
Numa boa, senhores jogadores. Gastem um minuto do seu dia para agradecer a Charles Miller. Ele mudou a vida de vocês. Trouxe a bola para o Brasil. Com ela, o futebol. Uma benção...
Coisinha doida esse universo do futebol. Nesse mundo de insensatez, às vezes o destino é mordaz com aqueles que o provocam. Pois vejam o que aconteceu hoje, no primeiro dia, melhor, noite, dos brasileiros na Copa Sul-Americana-2006:
• Na Bombonera, Boca Juniors x São Paulo, no primeiro jogo pela Recopa Su-Americana. Me incomodou o fato de Muricy Ramalho também não se mostrar muito convicto da importância do duelo. Claro que o Brasileirão é mais importante. Porém, é preciso que valorizemos nossas competições para, daqui a alguns anos, podermos ter um calendário consolidado. A Recopa Sul-Americana é a mesma coisa que a Recopa Européia, disputada semana retrasada, em Mônaco, entre Barcelona e Sevilla. E até hoje os europeus falam daquela partida, vencida pelos andaluzes. Evidente que estamos longe de alcançarmos aquele estágio, mas respeitar nossos eventos já seria um bom passo. E que o São Paulo mostre para o mundo que é melhor do que o Boca.
Eu sei que quase todo Jogo Aberto ficará contra mim, mas entendo que a França é a melhor seleção de futebol do mundo. Provou na Copa – não ganhou porque a Itália estava iluminada, muito competitiva e com seus principais jogadores no ápice – e segue no mesmo ritmo nas eliminatórias da Eurocopa. Hoje, na revanche da final do Mundial, os franceses foram superiores do primeiro ao último minuto da partida realizada no Saint Dennis. E ganharam com sobras: 3 a 1, com dois gols de Govou e um de Henry. A Azzurra descontou com Gillardino, lutou, mas não agüentou o talento de Henry, Ribery, Malouda & Cia em mais noite inspirada. Pior: a França já botou frente no grupo, enquanto a Itália, que empatou com a Lituânia, em casa, na estréia, terá que correr atrás para ficar com uma das duas vagas.
Amigos do Jogo Aberto. Em consideração com aqueles que viajarão no feriado, antecipo aqui o post do Troféu Babalorixá. E com os resultados parciais atualizados. Também publico a planilha completa. Peço, como sempre, para deixarmos esse post apenas para os pitacos. Outras discussões nos comentários anteriores ou nos próximos, por favor.
Pessoal. A dica do Dia da Independência. Show da banda de rock que chegou para ficar: os Víboras, com Ricardo Amaro, chapa-quente do Jogo Aberto, alvinegro de carteirinha e gente finíssima, no vocal. Vai rolar The Who, Rolling Stones, Lobão e, dizem, um hino para o nosso blog. A apoteose acontece no Saloom 79. Endereço: Rua Pinheiro Guimarães, 79, em Botafogo, claro. A partir das 20 horas. Não percam!
Mestre Ambrósio pediu e aí está a minha palhinha. Rodada cheia na terça-feira da Série B. E, como na primeira divisão, já podemos confirmar que há um grupo de desgarrados rumo ao grupo de elite. A noite foi espetacular para os clubes pernambucanos. No Estádio dos Aflitos, lotado, o Náutico sapecou 3 a 0 no Atlético Mineiro (três gols do bom atacante Felipe) e subiu para 38 pontos. É o mesmo número do líder Coritiba, que perdeu, em Campinas, para o Guarani, mas o Coxa leva vantagem no saldo de gols. Náutico e Coritiba estão folgados na frente.
• A Timemania foi aprovada. Ótimo. Já é um passo. Ajuda, dá um respiro aos nossos endividados clubes. Mas que fique claro: não pode ser vista como tábua de salvação ou como mais um motivo para nossos cartolas se acomodarem e, ao invés de criarem outras alternativas de receita, preferirem dar baforadas de charuto, cornetar a vida dos treinadores ou simplesmente recostarem em suas poltronas de couro. A Timemania ajuda, mas trabalhar (e criar) é preciso. Sempre.
• E a cabeçada de Zidane ainda rende na Europa. Materazzi finalmente abriu o bico para a Gazzetta dello Sport: Segurei a sua camisa (de Zidane) e ele disse: 'se você quer a minha camisa, te dou depois do jogo'. Então, respondi que preferia a irmã dele”, disse o zagueiro-tatuado à Gazzetta. Diálogo de altíssimo nível.
• Quer dizer que Parreira disse que não acertou com a África do Sul por causa de dinheiro? Ah, bom... Acaba de passar uma ovelha-voadora vestida de terno aqui na frente do meu prédio. Eu juro. Eu vi... Por favor... Acreditem...
O melhor do amistoso de hoje, em Londres, foi o gramado perfeito do White Hart Lane, estádio do Tottenham. Perfeito. Melhor do que muitos usados na Copa da Alemanha. O jogo foi fraco. O Brasil é tão melhor do que o País de Gales que não dá para analisar muita coisa. Até porque Dunga optou por usar outro time, bem diferente ao escalado contra a Argentina. Brasil 2 a 0, gols de Marcelo (que estrela tem esse moleque do Flu!) e Vagner Love (outro com bom relacionamento com a lua). Meus breves pitacos:
É insano o discurso de alguns no futebol brasileiro. Durante seis, sete meses, todos os dirigentes, cartolas e até jogadores dos clubes menos bem colocados, apelam para a importância de se classificar para a Copa Sul-Americana. E todos os anos, na véspera da abertura da competição, temos que ouvir alguns com a mesma ladainha:
Não pára de chover. Faz frio. Conspirações são inventadas, discutidas e derrubadas. Árbitros são postos em paus-de-arara virtuais. Elas querem musos; eles querem beubas. Amanhã tem Brasil x País de Gales. Quarta-feira começa a Sul-Americana para os brasileiros. E, em outubro, vamos votar para presidente. Alguém lembra? Jogadores de futebol feminino comemoram sem ter ganhado. Dunga deixa Kaká de castigo. Querem derrubar o Maracanã. E quem deveria ser demolido segue tão seguro quanto a cara-de-pau daqueles que adoram a cultura do “quero-me-dar-bem-e-os-outros-que-se-danem”. Tudo fora da ordem.
O domingo foi preto & branco no Campeonato Brasileiro. Se tivesse condições faria um fundo branco com letras negras, especialmente hoje, para aplaudir as vitórias esmagadoras de Botafogo e Santos. Duas goleadas, duas atuações magníficas. O Peixe, vice-colocado, com 38 pontos ganhos e um jogo a mais do que o São Paulo, aniquilou o Palmeiras, na Vila Belmiro, com um irretocável 5 a 1. Com direito a aplausos do Rei Pelé, aboleado na Tribuna real do estádio onde nasceu para o futebol, foi criado e retribuiu com a maior parte dos seus quase 1.300 gols. Na Arena da Baixada, o Botafogo talvez tenha feito a sua melhor partida nos últimos anos. Sem exagero. O time carioca jogou demais e enfiou 5 a 0 no Atlético Paranaense. Quarta vitória seguida, décima posição, com 30 pontos e longe da zona do rebaixamento. Os alvinegros estão no mais absoluto estado de êxtase.
O Botafogo jogou demais. Ah: virão os mais certinhos dizerem que tudo ficou mais fácil após a intempestiva expulsão do apoiador Christian, do Furacão, logo após o primeiro gol, marcado por Lima (que falha do goleiro Cléber!). Mas não foi por causa disso. O Botafogo foi perfeito. O primeiro tempo terminou com 4 a 0: Lima, dois de Reinaldo e um de Zé Roberto. Esse trio esteve perfeito, coadjuvado por Ruy, Junior Cesar, Clayton, Juninho e Diguinho (sempre nervosinho). No segundo tempo foi só administrar e meter o último, com Lima, na reta final. Vale citar ainda uma bela defesa de Lopes, quando a partida ainda estava no 0 a 0, o encaixe perfeito de Lima no time do Botafogo e o trabalho excelente de Cuca. E o Atlético, que vinha de três vitórias seguidas com Vadão, caiu para décimo-segundo (27).
Não chegou a ser nada brilhante como a festa em preto & branco, porém São Paulo e Grêmio cumpriram suas missões. Venceram, sem convencer, mas embolsaram mais três pontos. Em Recife, o time de Muricy Ramalho quase se enrola. Foi melhor o tempo todo. Só que custou a decidir. Rogério Ceni, de falta, ainda no primeiro tempo: 1 a 0. No início do segundo, Josué, em má fase, bobeou e Jorge Henrique empatou. Aí, Muricy Ramalho tirou Aloísio e abriu Thiago e Alex Dias, um de cada lado. A defesa pernambucana se perdeu e saíram os gols: dois de Thiago. O São Paulo não se encontra, mas mantém a liderança absoluta - com um jogo a menos: 41 pontos, a três (ou seis) do Santos. E o Santa, sinceramente, agarrou na lanterna e não larga mais: 18 pontos. Só milagre salva.
O Grêmio é um exemplo de dedicação e comunhão entre time e torcida. Na volta ao Estádio Olímpico, arquibancadas lotadas (40 mil pagantes) e jogo dificílimo contra o Paraná. Ângelo, o bom lateral-direito, fez, de falta, 1 a 0 para os visitantes. William, zagueiro que veio do Ipatinga, empatou. Tudo no primeiro tempo. No segundo, Grêmio na frente, Paraná nos contra-ataques. Até que veio o pênalti (foi sim) de Pierre em Rafinha. Calço sobre a linha da grande área. Na cal. Tcheco fez 2 a 1. O Grêmio chega à sétima vitória em oito jogos. É terceiro, com os mesmos 38 pontos do Santos. O saldo, no entanto, é inferior, apesar de o time gaúcho ter o segundo melhor ataque da competição, só atrás do São Paulo. O Paraná, com quatro derrotas seguidas, é sétimo (31).
No Maracanã, tudo igual no clássico entre Fluminense e Vasco (1 a 1). Jogo muito ruim no primeiro tempo e bom no segundo. Nada brilhante, porém movimentado. Os tricolores fizeram a melhor partida dos últimos tempos. Marcaram bem e, com Lenny motivado, foram para cima. Até que Tuta fez 1 a 0, com um belo toque por cima de Cássio.
E o Corinthians só saiu desse grupo do desespero graças a um pênalti mal marcado por Sálvio Espínola Fagundes em cima de Rubens Júnior, que não joga nada. O Corinthians pressionou, até merecia ganhar, mas não dessa maneira, com a cobrança convertida por Marcello Mattos. O time foi a 26 pontos, mas ainda deve muito. Tanto que Emerson Leão só fala nas chegadas de Amoroso, Magrão e César. Já a Macaca... Tem que reclamar mesmo. Hoje perdeu no apito. É a verdade.
Todas as honras para Andre Agassi
Almoçava mal como sempre. Toda atenção ao jogo de André Agassi e nenhuma reverência ao prato de salada com quiche. Tenho esse péssimo hábito. Refeições de olho na telinha ou absorto em alguma leitura. Normalmente ligada ao trabalho, coisa que nunca foi bem aceita (se é que vocês me entendem). Pois hoje simplesmente abandonei à refeição. André Agassi estava perto de se despedir da quadra. O alemão Benjamin Becker, de 25 anos, estava prestes a fechar a partida pela terceira rodada do US Open e deixei para comer qualquer coisa depois.
Amigos do Jogo Aberto. Por conta de outros compromissos no SporTV, não consegui ver a vitória do Brasil sobre Argentina, nos Emirates Stadium, em Londres. Mas o pouco que ouvi nos corredores da televisão, algumas matérias lidas e outros comentários que tive oportunidade de acompanhar por aqui, deixam claro que o placar de 3 a 0 foi convincente e justo. Dois gols de Elano e um de Kaká nós deixam a sensação (apenas a sensação) que nosso trabalho de renovação pode estar mais bem encaminhado do que o dos argentinos. Mas, pelo menos no meu caso, é puro “achismo”. Não vi nenhum minuto da partida, nem testemunhei a tal grande atuação ce Robinho. Assim sendo, torna-se complicado falar ou escrever qualquer coisa.
Ah, sobre a Argentina. Não me pareceu apropriada a escolha de Alfio Basile para treinador. Ele é retrógado, ultrapassado e cheio de manias e vícios de um futebol que não existe mais. Pode não parecer agora, mas nossos rivais sentirão mais falta de Jose Pekermann do que eles próprios imaginam. O resultado de hoje pode ser um indício. O mesmo indício que, descontados o habitual ôba-ôba, nos leva a crer que a despedida de Parreira foi um avanço. Com todo respeito.
Ainda bem que não vi ninguém reclamar da atuação de Héber Roberto Lopes na vitória, de virada, do Internacional sobre o Flamengo por 2 a 1, no Maracanã. Não porque eu morra de amores pelo árbitro paranaense. Não mesmo, mas ele marcou certo e convicto os dois pênaltis a favor do clube gaúcho, ambos convertidos pelo ótimo Fernandão. E o Colorado mereceu vencer. Foi e é melhor do que time rubro-negro. Muito superior. Basta olhar a tabelinha de classificação. Além de ser campeão da Libertadores, o Inter é vice-colocado (37 pontos), a dois do líder São Paulo. O Flamengo é décimo-sexto (24) e só não terminará a rodada no bolo dos rebaixados se o Juventude der uma goleada no Goiás no Serra Dourada. Quase impossível...
Nos jogos da noite na Europa, só quem soube aproveitar a carne-assada foi a Espanha: 4 a 0 no Liechtenstein: 4 a 0, com uma atuação formidável de David Villa, autor de dois gols. Detalhe da partida: um auxiliar de linha tenobroso da Macedônia. Em menos de dez minutos, ele marcou cinco impedimentos inexistentes contra a Fúria. Um horror...
Olá, amigos. Sexta-feira. Tarde com cara de noite. Tudo mundo animadíssimo no Jogo Aberto. Talvez porque hoje seja aniversário do nosso bravo CJ Ballantyne (parabéns, amigo!). Fiquei a pensar: o que escrever numa hora dessas? Balanço da rodada que vem por aí? Provavelmente choverei no molhado... Brasil x Argentina, em Londres... Prefiro ver e depois falar... Ronaldo apaixonado (de novo!)... Passo... Denílson, o garoto do São Paulo, vendido por E$ 6.5 milhões para o Arsenal? Há muito tempo não vejo o meni